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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O sertão das bandas do Ipanema

LÚCIA NOBRE  

Natural de Santana do Ipanema/AL. Professora de Literatura Brasileira e Escritora. Graduada em Filosofia, Especialista e Mestra em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas. Membro das Academias Alagoana de Cultura -Maceió/AL, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores -Maceió/AL e da Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes - Santana do Ipanema/AL.

  



Algumas publicações da autora:

O sonho de Alice.  Romance. HD Livros Editora, Curitiba, 1998.
A Arte Rosa do Popular ao Erudito: uma incursão na tradição cultural na contística de Guimarães Rosa. EDUFAL – Editora da Universidade Federal de Alagoas. Maceió, 2000.
A filha do lodo. Romance. EDUFAL – Editora da Universidade Federal de Alagoas.  Maceió, 2001.
O Sonho de Alice. 2. Ed. Maceió, Q-Gráfica, 2009.
Santana Urbana: o Batatal, a Matriz e o Monumento In: Sertão Glocal. Organizadores: José Marques de Melo e Rossana Gaia. Maceió, EDUFAL, 2010. 
A filha do lodo. 2. Ed. Romance. SWA – Instituto Educacional LTDA, Santana do Ipanema, 2015.

Dois dedos de prosa

            Este é mais um texto sobre o nosso sertão, encaminhado através da coordenação de Goretti Brandão. Trata-se de um mergulho nas raízes, que permite a ligação entre a memória, família e construção da sociedade em Santana de Ipanema. Campus/O DIA agradece a Lúcia Nobre, Mestre em Literatura Brasileira, por sua colaboração.
                    As fotos sobre a cidade de Santana do Ipanema são do arquivo particular de João Neto Félix e as que se refere à família são do arquivo da autora.
Um abraço e boa leitura!
Sávio Almeida



 SINCRETISMO
Lúcia Nobre


As estrelas que são nossas

“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terá estrelas como ninguém, quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!” (Antoine de Saint- Exupéry, 1970).
  Nós, seres viventes, possuímos nossas estrelas. Cada um da maneira que as enxerga. Se observarmos os bons fluidos, estes nos incentivam para continuar regando as plantinhas que precisam de carinho para sobreviver. Assim, nossas estrelas poderão ser reais. Continuamos eliminando as pedras que teimam em ficar em nossos caminhos. Não as afastando de maneira grosseira. Poderemos sim, fazer parte delas, conquistando-as como se fossem as próprias estrelas que nos devem guiar.

A chegada de Amélia e de Pedro

  Não há médicos na cidade de Santana, nem nos arredores. Os moradores da cidade e dos sítios vizinhos vivem precariamente no que concerne à saúde, ao saneamento, ao abastecimento da água potável, como também para o consumo doméstico. O conforto para eles é a fé que os sustenta. Agradecem pela Igreja de Senhora Santana. Lá os católicos cumprem suas práticas religiosas. Pedem graças e agradecem às recebidas.
Aquela família que construiu sua cultura lá nas águas mansas das Lagoas do João Gomes trouxe sua tradição de Pernambuco. O casal ainda jovem com grandes perspectivas, com os pés fincados ao chão, ou seja, com disposição para o trabalho. Sabiam Amélia e Pedro que terras teriam de ser desbravadas com rudimentares condições ou com o trabalho com as próprias mãos. Os irmãos Pedro e João vieram com a bagagem de esperança e acolheram-se em terras íngremes, mas que ofereciam auspiciosos motivos para lá fixarem suas moradas.
 Assim fizeram. Pedro com grande vontade de plantar e implantar raízes, Amélia, anseia levar um pouco do conhecimento das primeiras letras para as crianças da região. Os irmãos João e Pedro cumpriram o que desejaram. João com a esposa Moreninha construíram suas vidas e edificaram raízes em Alagoas, lá nas Lagoas do João Gomes, sítio de Santana do Ipanema. Não diferente, o casal Pedro e Amélia nos presenteou com o patrimônio cultural que construíram. Naqueles anos de 1917, tudo teima em ser difícil para a família de Angelina e Pedro. Moram no sítio e se valem da cidade de Santana. Sebastião, filho de Angelina e Pedro, carece de cuidados médicos, diferente dos outros irmãos, talvez precise de cuidados especiais.
Os anos correm. Trabalham, prosperam. A cidade não evol

Os caminhos de Sebastião

ui. O menino tem oito anos de idade e não anda. Não há médicos. Pais religiosos, crentes dos mistérios divinos, ouvem conselhos que o Padre Cícero do Juazeiro poderia promover um santo milagre naquela criança que deseja muito ser igual aos irmãos. Um dia, o pai da criança fez uma carta ao Padre Cícero que, por sua vez, respondeu solidário ao pai de Sebastião. “Amados fiéis, recebi o pedido de pais fervorosos que amam seus filhos, e por isso querem o melhor para eles. Não prometo um milagre. Sugiro que coloquem nas pernas da criança um pouco de cinza do fogão. Com certeza, serão beneficiados com a benevolência de Deus.”
O brasileiro é híbrido e rico em conhecimentos. Herdou dos nativos que aqui já habitavam, povos que aqui chegaram de lugares diferentes e crenças diversas. Na questão das crenças, assimila todas. Tanto que, acredita em vários deuses. A mãe espiritual pode ter vários nomes. Prova é que o fiel sai da igreja ou templo sagrado e vai ao terreiro de umbanda, candomblé ou crenças de diversas culturas ou religiões.
 Este é um fato importante na cultura do país, o brasileiro se comporta como tal. As culturas entrelaçam-se. Os povos que vieram de outras civilizações assimilam os costumes, hábitos, religiões do povo que agora é seu povo, assim como traz para cá seus conhecimentos. O resultado é que temos uma cultura entrelaçada. A mistura de povos de diversas origens. A família de Sebastião acredita que um especialista lhe dará a cura.
Como na cidade não há médicos, resolve acreditar nos milagres. As pessoas católicas do Batatal, das Lagoas do João Gomes, do Olho D’água do Amaro, do Alto Bonito, e outros sítios, aspiram alimentar sua fé. Para elas, a fé é o sustentáculo. Segundo a tradição religiosa, o cristão reza e pede graças. Acredita que Deus salva os arrependidos e condena os pecadores; anseia pela indulgência de Deus. É a religiosidade que mantém a ligação entre o pensamento popular e o ecumênico. É o amálgama de doutrinas. Não poderia ser diferente, o povo miscigenado recebeu influências de raças diferentes. Os devotos agradecem com orações indulgências recebidas. As igrejas têm lugares cativos em tempos de Santas Missões e de festas da Padroeira.

A Matriz e a vida da cidade


A Matriz de Nossa Senhora Santana prepara-se com alegria para acolher o pregador dos evangelhos e acomodar os fiéis. A multidão de santanenses confunde-se com o pessoal dos sítios, e juntos renovam preces. Santas missões, encontro valioso em Santana. Frei Damião, mensageiro mais importante nas Missões da cidade. O Frei abençoa os cristãos. A praça da igreja lota com os abnegados. Frei Damião torna-se um fenômeno da popularidade religiosa.
 Pode-se dizer também que, Padre Cícero lá do Juazeiro é um padre santo. Frei Damião era mais conhecido na cidade de Santana, porque visitava a cidade. Fazia sermões, procissões de madrugada e até confissões. O padre Cícero, padre milagroso. As pessoas denominadas romeiras, viajavam para o juazeiro em caminhões, para esse fim. A família de Sebastião acredita no milagre de sua cura. A fé da família a levou para o pedido ao padre que faz milagres. Tudo isso faz parte da cultura do brasileiro.

A maravilha da cura


Está Amélia dando aula aos alunos em uma sala da casa, especificada para esse fim, quando aparece Sebastião caminhando sorridente e muito feliz. Não é rotina da criança chegar só, na sala. Sempre há um irmão ou irmã que o ajuda a se locomover. Dorinha é a irmã de Sebastião que mais o ajuda. Desta vez, Dorinha também participa da aula ministrada pela mãe e mestra. Grande surpresa e alegria de Amélia e Dorinha, quando chega a sala de aula o menino, que anda pela primeira vez.
Contudo, a sabedoria das duas gritou mais alto e agem com uma certa naturalidade para não assustar a criança. Coisas de quem ama. Preocupam-se em colocar uma cadeira para que Sebastião participe da aula, junto com as outras crianças. Amélia apresenta Sebastião aos meninos e diz que ele será o novo aluno daquela turma. Amélia fala que o aluno gosta de ler e poderá contar várias histórias para eles.
A professora Amélia conta aos alunos que os seus outros filhos gostam de estudar, mas preferem trabalhar. Fala que Sebastião é apaixonado por leituras e que leu os livros da biblioteca da casa. Enfatiza a professora: aqui temos um sistema de vida que foi herdado dos meus pais e dos pais de Pedro. Como vivemos da agricultura, todos trabalham na lavoura. Em um tom de brincadeira, com certa verdade, Dorinha fala que há um tratamento diferenciado para os meninos e as meninas.
Diz que ali, as regras estão bem claras, que as meninas ficam em casa e ajudam com a escola. Contudo, para Dorinha é muito bom colaborar com a educação das crianças. É motivo de alegria para a mãe e a irmã daquela criança de oito anos que começa a andar e frequentar a escola como os outros de sua idade. Ele não só quer estudar, quer também ajudar o pai com a lavoura. Como uma boa educadora, Amélia concorda que o filho poderá frequentar a escola e trabalhar na roça. Fala para os alunos que cada um dos filhos tem uma tarefa de acordo com suas possibilidades.
A medida que crescem, recebem por direito seu pedaço de terra. São as normas da família. Pedro vem de uma família de agricultores e adquiriu com ela o gosto pela labuta com a lavoura, com os animais e com todo o processo que faz parte do dia a dia nos sítios do Nordeste Brasileiro. A cidade de Santana que tem uma história religiosa, acolhe os vizinhos dos sítios mais próximos ou até os mais distantes.

Augusto Matraga


Para falar em sincretismo religioso e cultural, lembramos de Augusto Matraga da ficção. Começou a perder forças quando sua mulher foi embora na garupa de um cavaleiro, e ainda levou a filha. Ela não mais suportou suas grosserias. Procurar um coronel valente para tomar satisfação, foi a desgraça maior de Matraga. Apanhou tanto dos capangas e ainda foi jogado em uma grota, em estado deplorável. Daí, para todos, o valentão estava morto. Um casal de negros que morava perto da grota o socorreu e o tratou com remédios do mato e rezas da igreja católica. Até o padre fora chamado para lhe dar a benção final. Esse sincretismo religioso faz parte da nossa cultura.
Os negros que trouxeram sua cultura, assimilaram a que aqui já existia e, assim, amalgamando-se os costumes, crenças, resultou nesse povo brasileiro tão cheio de conhecimento. Augusto Matraga “comeu o pão que o diabo amassou”, pois estava todo quebrado e machucado. Diante de tanto sofrimento, foi compreendendo que a vida que levava estava completamente errada e começou a querer se purificar, tentar remediar os erros cometidos. Porque, segundo a crença da Igreja Católica, quem se arrepende dos pecados será perdoado.
O padre tem formação europeia, reza a missa em latim, ao tempo que ensina à dona da casa remédios caseiros da cultura do seu povo, como para curar o gogo dos frangos, e aconselhou o marido a pincelar água e cal no limoeiro, e a plantar tomateiro e pés de mamão.

A família Bau


Quem mora nas regiões dos municípios santanenses, conhece a família Bau. Negros, vindo de terras distantes, implantaram sua cultura ali, naquele sertão de Alagoas. Fica bastante claro como transmitem naturalmente tudo que aprenderam em sua terra. Frases, provérbios, conceitos, superstições, costumes, comidas, vestimentas e tantos modos de ser, de agir e até de pensar. Os moradores dali assimilam a cultura dos que chegam. Ao tempo que, os que vêm de longe também amalgamam-se aos costumes dos nativos.
 Maria Bau, representante desse passado, repete frases ou provérbios aprendidos em sua terra, transmite sua cultura, que agora não é mais sua, outros povos aprenderam, como também, ela outras culturas assimilou. Segundo Alfredo Bosi, “Não existe nenhuma cultura tão arraigadamente tradicional quanto a cultura popular”. Mulher negra, magra, falava pelos cotovelos. Morava ali naquela região.
Todos das Lagoas do João Gomes, do Batatal e das regiões vizinhas a conheciam ou dela ouviam falar. Seu Manuel Bau sempre a acompanhava em suas andanças.  As pessoas que andavam nas estradas sempre a ouviam falar. Repetiam: Maria Bau está ali, ouçam sua voz. Aquela voz era o passado histórico de um povo. Quando voltavam da cidade traziam novidades.
Compravam com o dinheiro dos produtos da roça, que juntos plantavam e colhiam. Às vezes era uma calça de casimira para Manuel Bau, outras, uma saia rodada e florida para Maria Bau   especialmente para vestir nas Santas Missões em Santana. Ou simplesmente um biscoito novo que aparecia na padaria. Valia a pena gastar aquele dinheiro.
Tudo era motivo para mostrarem as novidades aos vizinhos. Enquanto a mulher mostrava e contava as novidades, o marido a esperava com paciência. Como não era de falar, a esperava no alpendre, observando os bichos que passavam ou os pássaros que voavam. Dando baforadas para bem longe em seu cigarro de palha, como se levassem seus pensamentos para bem longe, para um tempo bem distante. Tempo em que ele não guardou lembranças, mas intimamente tem muitas saudades.
Manuel Bau jogava na fumaça seus pensamentos; Maria Bau falava, falava... quem sabe, desafogavam a dor de ter de deixar suas raízes. Assimilaram outra cultura. Tanto que se tornaram religiosos das Santas Missões. Somos hoje o resultado dessa cultura entrelaçada. Como diz Riobaldo, “religião seu moço, bebo de todas” ou “eu agora bebo de todos os rios”.

A cidade e a vida

As pessoas crescem junto com a cidade. Participam com ela das alegrias e das tristezas. Sabem de suas deficiências, também dos seus progressos. São integrantes de uma cultura enraizada, tendo como resultado a proliferação de bons frutos. Tantas famílias tomaram como berço Santana do Ipanema. Aprenderam dos antepassados e emprestaram seus conhecimentos a novas gerações. Formam a comunidade santanense. São o resultado de bens valiosos, sobretudo, o dom da dignidade. Povo que expande sua cultura. As pessoas de Santana que beberam e ainda bebem da água salobra do Ipanema, edificam suas raízes.
Para concretizar o milagre obtido pela família de Pedro Pacífico e Angelina Amélia, coroamos o amadurecimento do jovem que tinha dificuldades físicas. Aos oito anos de idade, curado e andando normalmente, tentou recuperar o tempo perdido e construiu tudo que sempre desejou. Tornou-se menino normal como as outras crianças. Trabalhou com a família, leu bastante e colocou em prática tudo que antes idealizou. Podemos pensar: uma criança tão pequena e já desejava independência! Certamente, houve bastante tempo para pensar. Idealizou sonhos e logo que teve condições, tentou transformá-los em realidade.
Trabalhou com a família na agricultura e “economizou”, como ele falava. Ao se tornar jovem, emancipou-se e foi para a cidade de Santana cumprir sua tarefa de cidadão trabalhador. Construiu família e a educou segundo seus princípios religiosos e morais. Os filhos de Pedro Pacífico e Angelina Amélia herdaram dos pais o dom do trabalho.
Todos trabalhavam na lavoura e, na fase jovem, emanciparam-se. Foram para a cidade de Santana e construíram vida nova. Sebastião estabeleceu-se no comércio da cidade e construiu sua família, dando a todos os filhos condições de também emanciparem-se. O nosso protagonista achava que a leitura era muito importante. Sem esta prática, como poderíamos crescer intelectualmente. Tanto amava os livros que conservava aqueles que achava importante.
Tinha um pensamento: as pessoas não precisavam de conselhos. Seria necessário promover exemplos, para que notassem. Assim deixava os livros em lugares que os filhos notassem. Assim como dava bons exemplos para que fossem seguidos. Também, negociou com livros, matérias escolares e artigos religiosos.
Viajava de Santana ao Crato, no Ceará, para trazer novidades para sua pequena livraria. Dificilmente, o encontrávamos sem um livro às mãos, nos dias de domingo. Reunia-se com os irmãos e amigos para lerem e discutirem “o jornal da igreja”. Sebastião na idade adulta esmerava-se em sua crença religiosa. Fiel e crente dos ensinamentos de Jesus Cristo e amante de tudo que fosse olhar o semelhante e ajudá-lo em suas necessidades.
Cumpriu e cuidou dos necessitados, sem nenhuma pretensão de louvor. Fazia por amor ao outro. Sua vida chegou ao fim, quando não mais possuía condições de ajudar os que precisavam, da maneira que ele preferia. Não mais andava, suas pernas paralisaram. Talvez se sentisse inútil. Não mais tinha condições de visitar seus amigos que precisavam de ajuda.
Como nossa história não é uma máquina de calcular, fazemos e vivemos nossa história. Desde os nossos antepassados, construímos o que há de ser nosso viver. Não acredito em pessoas e atos radicais. Claro que somos marcados pelas heranças e tradições, somos livres para moldurar e modelar nossas ações. Somos inteligentes para dar corpo a nossa imaginação e perceber o que pretendemos de nós mesmos, procurando as respostas em nossa cultura. Percebemos a cultura do nosso povo e a ela acrescentamos a que vivemos em nossa atualidade.
 Com a entrada do Modernismo, houve quem opinasse destruir todo o passado. Extinguir um mundo que já existia? Excluir os antepassados? Esquecer nossas raízes? Desejavam queimar bibliotecas e museus, abandonar o velho, só o novo seria interessante. Houve algumas perdas, tudo em nome do moderno, do novo. Com certeza não seria essa a proposta. Estaríamos destruindo toda nossa tradição. Seríamos um povo aculturado, sem história. Descendentes de quem? Aprendemos o quê? Contudo, não precisamos imitar o passado, seguir suas tradições, copiar o que vimos, o que ouvimos ou o que lemos.
Se o homem deve ultrapassar limites impostos, procurar meios de sobrevivências de acordo com a evolução dos acontecimentos, que procure adaptar-se a este mundo mutável. Enfatizamos as famílias que tiveram dificuldades. Com perseverança e fé conseguiram conquistar o projeto de vida que se apresentava. Adaptaram-se às circunstâncias. Provaram que a vida não é uma máquina de calcular.
As pessoas fazem o que há de ser o viver. Como nos diz Octavio Paz, no livro Os filhos do barro, “a questão da tradição da ruptura”, que deve haver uma relação entre o passado, presente e futuro, que a tradição deve ser suporte para alicerçar o presente e preparar o futuro.
Assim acontece. Buscamos na tradição do nosso povo o alicerce para nossa cultura, ao tempo que a atualizamos aos novos acontecimentos. Adquirir novos hábitos, conhecer pessoas diferentes faz parte do processo de civilização. Este processo contribui para o crescimento de cada um. O indivíduo socializa-se. É o compartilhar das culturas. Aceitar o comportamento do outro.

Aquele que chega até você com estilo de viver diferente do seu, do grupo que pertence, da família que faz parte. Esse diferente que chega precisa fazer parte do grupo que ali está. Deve respeitar hábitos e costumes, assim, como deve ser acolhido por quem o recebe, aceitando-o como ele é. Às vezes, aparece algo novo em nossa vida e teimamos em não aceitar. Temos preguiça de acumular mais um conhecimento. Perdemos porque é muito bom aprender. Se for bom ou ruim, saberemos com o tempo. A novidade pode incomodar os arraigados. Os que preferem estar conectados com o mundo, recebem as novidades deste mundo instável. Carlos Drummond de Andrade, da geração anterior, adaptou-se à nova forma de poesia, a poesia Pós Moderna.

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