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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Monarquistas em Alagoas (I)



Isaac Vasconcelos Barros. Nascido em 24 de julho de 1984, em Maceió, Alagoas. Médico graduado pela Universidade Federal de Alagoas em 2009, especialista em anestesiologia pelo Hospital Universitário Professor Alberto Antunes em 2013. Escritor, tendo publicado romances, contos e artigos. Monarquista atuante desde 2014. Co-fundador do Movimento Monárquico Barão de Penedo. Exerce atividades comunitárias como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tendo sido missionário desta igreja nos anos de 2004 a 2006.



  
II - Democracia e Monarquia


Isaac Vasconcelos Barros

Importante compreendermos o significado verdadeiro de democracia. De modo bem resumido: é o nome que deram ao sistema na Grécia antiga em que TODA a população se reunia para elaborar suas próprias leis e escolhiam entre os mais aptos para desempenharem cargos públicos: Eram escolhidos entre a multidão alguns para se submeterem a um sorteio para determinado cargo, com tempo de posse determinado. E todas as medidas institucionais com poder de lei não eram tomadas sem que a assembleia aprovasse. Isso era democracia. 


No sistema republicano no Brasil hoje, a população diz se aceita ou não candidatos de partidos. Caso todos recusem, anulando o voto ou se abstendo de votar, basta uma pessoa aceitar um candidato para que ele seja empossado. Este candidato, agora um político de carreira, fica no cargo com uma carta branca para fazer quais leis quiser. Caso a população discorde da lei, não há mecanismo para a bloquear. Multidões podem fazer protestos, mas sem garantia de que serão atendidos. A isto chamam de democracia também. Se aquilo da Grécia antiga recebia o nome de democracia, este sistema de hoje deve receber o mesmo?

Os mais sensatos preferem chamar o sistema de escolha de candidatos dos partidos para os cargos públicos de: GOVERNO REPRESENTATIVO. Ao invés de perverter o uso da palavra democracia. No governo representativo é apresentado para a população um candidato de um partido. E outros de outros partidos. "Partido" vem de partir, fragmentar. Indicando que a população se dividiu em grupos que pensam de modos diferentes em ideologia e aspirações ou anseios. Às vezes há partidos que buscam sistematicamente a hegemonia e eliminação de outros partidos e pensamentos destoantes dos seus. Esta atitude é ensinada como se fosse unificadora e de construção social, para uma sociedade "justa e igualitária". Mas o método é a sequência: supressão (maioria de votos), negação (doutrinação tendenciosa), anulação (desconstrução legislativa), opressão e repressão. Outros partidos coexistem com seus oponentes, numa forma de manutenção da diversidade de pensamentos. Mas mesmo estes não são fomentadores da união social intrinsecamente, ainda que busquem a coexistência pacífica. Por sempre estarem por buscar votos e maioria, partidos sempre provocam agitação social.

Os candidatos desses partidos são apresentados para serem os "representantes". Porém, eles já chegam com uma agenda, com um estatuto do partido, com ideias e ideais pré-formados. Ou seja: são um vaso pronto: com forma, tamanho e conteúdo já determinados. A população não escolhe um representante: não fabrica o vaso nem coloca seu conteúdo. Ela olha para o candidato do partido e decide se aceita ou não aquele. Olha para todos os escolhidos dos partidos e decide quais são os vasos "suportáveis". No final, a população em cada indivíduo se molda para adaptar-se ao que cada candidato já é. Quando não é possível, vai suportando até a próxima eleição, quando esperará um "candidato perfeito". E novamente são oferecidos uns tais que lhe resta optar pelo menos pior. O indivíduo sai em busca, como numa pescaria, daquele que pensa (legisla ou governa) com o pensamento mais aproximado do seu, e finalmente, quando a adaptação se completa, o votante diz: "este me representa!". Pensamento fruto de um conformismo alienador que o fez se moldar para se sentir representado por um candidato da fôrma de um partido. Enfim, o indivíduo já não pensa por si, mas pela coletividade de um partido. Aquele que o pescou. Quando se vê enganado, resta-lhe aguardar novas eleições, em que encontrará um líder “forte”.


Quando se diz que o povo exerce o poder por meio de um representante, na prática o eleito exerce domínio sobre o povo e se faz legitimado por meio da exploração, obtenção e até mesmo usurpação de votos manipulados. A alegação que o povo exerce o poder porque escolhe seu representante é uma fraude. O povo não escolhe; meramente opta por um líder, o qual recebe o poder para o exercer a despeito da vontade do povo, pois já foi eleito e seu poder está garantido. Este sistema é a permissividade das mentiras de campanha, a aceitação sistemática de promessas e lisonjas em troca de votos a qualquer custo. E após vitória em maioria de votos, usa-se a nomeação pseudodemocrática como salvo-conduto para os mais diversos tipos de corrupção, tirania, favorecimento ideológico e partidário. Especialmente nesse sistema em que o Chefe de Estado é também o Chefe de Governo: a república presidencialista brasileira.

Na monarquia parlamentar, de modo geral, existe o governo representativo, através de votos em parlamentares. Estes parlamentares são pertencentes a diversos partidos e fazem as leis. Além disso, eles elegem um primeiro-ministro para ser o Chefe de Governo. Este Chefe de Governo possui automaticamente a maioria do apoio do parlamento e poderá governar sem transtornos, enquanto mantiver os interesses de seus pares e dos seus eleitores. Mas se ele apenas favorecer seus partidários, o que pode acontecer, ele pode ser destituído. Se ele governar para seus próprios interesses ou de uma minoria, não terá apoio do parlamento e terminará tendo por necessidade a renúncia. Ou se ele não governar a favor do Povo, o Povo pressionará o parlamento para que o destitua. E se o parlamento não atender o Povo, se todo o Governo se corromper? Existe outro poder, o poder moderador, suprapartidário, que só existe porque o Povo o reconhece. Não através de votos, não porque uma maioria dos votos válidos dos votantes daquele ano o deu vitória. É um personagem que os antepassados reconheceram, foi preparado desde criança para este papel, e sua descendência está ligada e este mesmo vínculo com as gerações que virão: o monarca. Ele não tem partido, não tem preocupações com votos, não tem preocupação em agradar uma bancada ou mesmo o parlamento inteiro. Ele tem poder para dissolver um parlamento corrupto que o Povo, apesar de ter votado no ano passado, já não aceita. Ele tem o poder moderador.

Este monarca é completamente diferente do Monarca Absoluto. O Monarca Absoluto tinha o poder ativo, governava, reinava, outorgava leis, ditava a constituição, julgava, etc., e não era derrubado senão com sangue. O monarca no sistema parlamentar age quando solicitado pelo Povo; sua legitimidade é o reconhecimento do Povo pela sua dinastia e por exercer ao longo de sua vida o poder com sabedoria. Por seu pai ter sido um bom monarca, e por esperarem que seu filho também o seja. Uma constituição o impede de exercer poder acima disto, mantendo limitações claras ao seu exercício, cuja quebra porá fim ao seu reinado, à toda dinastia, ou mesmo, ao sistema monárquico constitucional parlamentar. Ainda assim, em caso de corrupção do monarca, ou de doença limitadora, o parlamento pode afastá-lo e nomear um regente. Mas o que acontece é que para manter a legitimidade, vemos na história que nesses casos, os próprios monarcas abdicam.

A monarquia parlamentar foi um sistema criado por pessoas inspiradas que entendiam a necessidade de um poder tão contínuo quanto o território da pátria, quanto as gerações dos seus cidadãos, acima de vontades passageiras, de partidos de ideologia duvidosa, de votos de uma população iludida por lisonjas e propagandas; os criadores desse sistema também perceberam que o povo precisa de instrumentos, instituições e mecanismos para limitar e se proteger de um eventual "mal monarca". Pessoas que perceberam a importância da representatividade política direta pelo Povo, e que todo poder terreno emana do Povo, mas que para manter este Povo coeso, é fundamental uma convergência, tradições, símbolos legítimos. Os revolucionários guilhotinadores romperam todas essas convergências e se batem por forjar do vácuo o aço temperado da nacionalidade e do sentimento de pátria; faltar-lhes-á para sempre a autenticidade atemporal. É um sistema criado por patriotas que amavam a história do próprio país e, ao invés de romper com tudo que foi construído, constrói sobre seus alicerces. O rei, praticamente já não é rei, neste sistema (não aquele rei onipotente dos contos-de-fadas). Não tem poder algum sobre o Povo senão o que o Povo quer e permite que exerça. É antes disso, uma instituição cuja presença influencia e inspira a fidelidade por um país e pelos cidadãos uns pelos outros. Mas seria uma arrogância chamar de Moderador, aquela pessoa que voluntariamente aceitou jurar à constituição e abdicou de todos os poderes que outrora possuía. "Rei" permaneceu mais como um título de honra, que pela antiga função da coisa. Os criadores desse sistema incluíram afinal, os próprios reis, ao invés de bani-los ou os fuzilar (com toda sua família junto, de preferência).

Com efeito, há em nossos dias, mesmo hoje e em todos os continentes da Terra, presidentes de república com mais poder que os antigos reis. Há reis com maior aceitação que muitos presidentes diretamente eleitos. Há repúblicas cujo poder é exercido sobre o Povo com tirania. E monarquias em que o Povo é soberano. Sonháramos com um tempo que já não haveria reis exercendo poder sobre o povo. Eliminaram este nome "rei", e no lugar deste nome assustador puseram presidente, ministro, cônsul, secretário... tiraram coroas e puseram faixas, medalhas, cartas... Como disse Julieta a romeu: "A flor que chamamos de rosa se outro nome tivesse inda teria o mesmo perfume". Só que esta flor, nada tem de flor, e seu olor a nada bom recende.


“Espero que jamais esses monarcas me representem.” Eis o sinal e sintoma. Frase perfeita para nos denunciar a confusão gerada pela manipulação das consciências feita pela república nesses 127 anos. "Espero que jamais a monarquia parlamentar vença um plebiscito", como se a monarquia fosse um partido. O cérebro já adaptou suas sinapses a pensarem assim: partidos. Os partidos derrotados transformam seus eleitores em votos vencidos. Um segmento da sociedade marginalizado. Resta a estes revoltar-se, boicotar, sabotar, aguardar. Estão em suspense até que ganhem os votos novamente. E a construção do Brasil, pausada. Nada que os "representantes" dos outros partidos que o venceram é frutuoso. Porque "não me representa!". E assim, cada sucessor destrói o que seu antecessor construiu. Afinal, o vencedor é o esperado "candidato perfeito".

O desconhecimento, a doutrinação, a revolta, a frustração. Uma sociedade partida. Não infrequente pessoas com alguma reserva financeira desabafam num desespero: “Vou sair do Brasil!” O que se passa nesses corações? “Já não há nada para mim aqui.”

Entendem que o candidato de outro partido que não o que se agradam não os representa. E se o governo de tão poderoso desfigura o resto de identificação com a brasilidade, impede de prosperar, não garante paz, então, o que fazer aqui? Nesse ambiente, de fato, é mais fácil partir para fora e vestir-se doutra pátria. Provavelmente até uma nação monárquica... É mais provável a pessoa pensar em mudar de país que pensar em mudar seu sistema de governo.

O Imperador já nos representa, e sempre representará. Este é o dever do monarca. Isto é o que lhe imbui de legitimidade. Esta é a verdadeira fonte de sua majestade. Isto é o que confere aos nossos príncipes a alteza. É majestoso, é alto, é nobre, desfazer-se dos interesses mesquinhos e sacrificar a si por seu povo. Seu povo é quem impera. Este povo cerca um, o "MONO" e este, em se dignificar na representação legítima deste povo, é possuído por ele como seu Imperador, e recebe deste povo a "ARQUIA", o poder de imperar. Sua autenticidade imperial é dependente desta relação. 

Uma das vantagens da monarquia parlamentar é justamente esta: que o Imperador não tem partidos para agradar, não tem votos para colher, não tem eleições que desviem a sua atenção do seu real dever. Como Dom Luiz de Orleans e Bragança declarou:


“O Chefe do Estado não precisa cortejar o voto do proletário, nem pedir o auxílio dos ricos para as campanhas eleitorais." Impera por todos e para todos, por causa de todos. Mesmo os que não o reconhecem. Como expressou o mesmo Dom Luiz. "A monarquia precisa recompensar nos filhos os méritos dos pais a quem a morte levou sem o devido galardão, e, como ela virá para cuidar do futuro e não para tomar conta ao passado, não terá culpados que punir, antes terá beneméritos que premiar, ainda dentre os que, escutando simplesmente a voz do patriotismo deram seus auxílios à República e prestaram relevantes serviços à Nação."

Enquanto energias são despendidas num racha interminável, Dom Bertrand em suas palestras fala sempre que "nação é uma grande família com um destino comum a realizar". Este é o pensamento que nos une. Mesmo em pensamentos e movimentos contrários à monarquia em si o Imperador deve respeitar o seu povo. Por isso quando no golpe de Estado de 1889, o imperador Dom Pedro II e sua Casa não permitiram derramar uma gota de sangue no golpe da república. E seu neto declarou vinte e quatro anos depois: "Se aquela (a república), apesar do vício original, entregue a si mesma, sem cooperação suspeita, nem o menor entrave dos adversários naturais, conseguisse mostrar-se mais benéfica, não haveria, a começar pela família imperial, um só obstinado que recusasse e deixasse de agradecer a melhoria."

A manutenção de cargos públicos por meio deste sistema, o presidencialismo republicano, deixa o povo como um poço de votos de onde tiram uma lama da qual se besuntam de uma legitimidade pretensa. Nesta situação, o povo não existe. "E não existe porque não tem instrução, porque não sabe ler nem escrever e consequentemente não enxerga, não pensa e não vota." (Luiz de Bragança, 1903).

Disto poderia se culpar os políticos, e não o sistema republicano presidencialista. Mas todos são brasileiros. Talvez alguns presidentes, senadores, governadores provavelmente têm boa vontade. Entretanto, são "levados ao poder supremo, não pela vontade do povo – cuja livre manifestação se torna cada dia mais difícil – mas pelas facções políticas dominantes, eles sempre foram e hão de ser os escravos dos poucos recomendáveis promotores de suas candidaturas." (Luiz de Bragança 1903).

O Imperador, por outro lado, tem nos ombros o compromisso com a honra do passado, o bem-estar do presente, e a construção do futuro. Uma linha de tempo sem interrupção. Livre das amarras dos partidos e de um cronograma que o obriga a alcançar algum milagre em curto tempo, ele "não é civil, nem militar, mas ambas as coisas, sem preferência por nenhuma delas. É o Imperador ou Rei encarnação viva de toda as inspirações do povo. Um soberano não é conservador, nem liberal nem socialista. Será uma coisa ou outra, no exercício de seu poder moderador, segundo o exigirem as circunstâncias e o bem do país." (Luiz de Bragança, 1903). Assim, ele está (e só é legítimo se sempre estiver) pronto para representar TODO o povo.

Esta obrigação deve estar acima inclusive de si e sua dinastia. Dom Luiz reconheceu: "Se a República, apesar do vício original, conseguisse mostrar-se mais benéfica do que o Império, nunca recusaria, nem deixaria de reconhecer a melhoria. Se me for dado, indo ao Brasil, verificar a harmonia de sentimento nacional, com o dos seus atuais pseudo-mandatários, eu me resignaria ao silêncio e mesmo, se fosse necessário, ao ostracismo, para não perturbar a ordem interna do país que tanto amo."

Afinal, foi justamente esta obrigação, o juramento a este dever, que lhe deu a coroa. O símbolo do peso da união sobre sua cabeça; o poder dado pelo povo do qual a Deus prestará contas. Pois, disse Dom Luiz: "O que nos importa não é a vitória de tal ou tal grupo, mas a formação de um Brasil grande, forte e próspero, de um Brasil onde tornem a desabrochar a honestidade o desinteresse pessoal, a justiça e a imparcialidade, onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, as classes armadas com o elemento civil, o progresso com a probidade, o respeito ao Governo, com a inviolabilidade de todos os direitos garantidos pela Constituição.


Assim, a monarquia jamais será um partido. Justamente porque é a união das partes. É uma aspiração nacional. Este entendimento, quando alcançado, deixa-nos sem motivos para querer outra pátria. No dia 15 de novembro de 2016 monarquistas de Alagoas foram à rua com suas bandeiras do Império do Brasil. Impressionante a reação das pessoas: “Que bandeira é essa?” “Mas que bandeira bonita! De onde é?” “Posso tirar uma foto com ela?” 

Há no Brasil um Príncipe, e príncipes e princesas. O monarquismo no Brasil está no momento mais intenso desde o golpe do 15 de novembro de 1889, impulsionado não apenas pela ruína inequívoca da república, como também pelas evidências estatísticas pelo mundo a favor do moderno sistema de monarquia constitucional parlamentar. Em Alagoas foi formado no ano de 2016 o Movimento Monárquico Barão de Penedo, com o objetivo de explicar o ideal monárquico a todas as pessoas em nosso estado. É difícil para o brasileiro dizer que a república deu certo. Mas é comum torcer o nariz à menção de “monarquia”. Contudo, após uma conversa sensata, é frequente se descobrir um novo monarquista. Por ser algo que se tentou esconder por mais de cem anos, alguns veem como uma ideia bizarra que apareceu do nada num tempo de crise. Mas monarquistas antigos e novos tem se unido nesta Causa por todo o Brasil, e igualmente em Alagoas. O Movimento Monárquico Barão de Penedo é uma entidade recente num solo que nasceu monárquico. Convidamos todos a virem. A tomarmos juntos nosso Brasil de volta. É hora de os brasileiros formarem uma união mais excelente.

Apolítica brasileira e as charges de Leo Vilanova




Leo Vilanova é um lúcido analista da vida nacional; seus desenhos equivalem à defesa de tese sobre o que vem acontecendo no jogo do poder, na correlação de forca que se desenvolve. É de se parar em cada um deles e começar a pensar sobre o que vem acontecendo nesta República Temer., o Presidente das exóticas mãos bailarinas.

Os desenhos de Leo são publicados na Gazeta de Alagoas 




















A cidade e a tragédia das chuvas




Maceió parecia estar recordando os idos da Tromba d'Água em 1849. A chuva não parava.
Leo Vilanova escreveu dois belos textos sobre a tragédia urbana, com a cidade  a ver-se submersa e a vomitar seus lixos. A tragédia era a natureza e a construção do urbano.




Os desenhos de Vilanova são publicados pela Gazeta de Alagoas.





Política brasileira: a Lava Jato e o espetáculo





Esta é a charge premiada no mês de maio, entre as muitas de Leo Vilanova sobre a vida do Brasil. A justiça passou a ser objeto de holofotes e, sem dúvida, um espetáculo é construído com tudo o que vem acontecendo. São lances inesperados a quebrarem  a paz brasileira.



Leo é publicado diariamente pela Gazeta de Alagoas

sexta-feira, 26 de maio de 2017

História: os lugares e os caminhos

Sempre tive  grande admiração e carinho por Elói, um homem extremamente simples, inteligente e intuitivo. Para mim, ele produziu uma pequena joia da historiografia em Alagoas, sobre os caminhos de Viçosa, mostrando a sua engenhosidade de perceber as interações que fazem o lugar.
Tive a honra de, a seu pedido, participar de uma das edições do seu livro sobre os caminhos que montam e fazem a vida econômica de Viçosa, ao longo da rota de acumulação que andou pelas trilhas do Vale do Paraíba.  Em sua homenagem, vamos publicar uma parte deste livro, digitada por Glessy Kelly que decidiu nos ajudar. Suprimimos algumas partes e, no original, estão corretas as citações bibliográficas.
Tenha o prazer de ler o que o velho homem disse sobre o velho local que sempre foi seu.
Luiz Sávio de Almeida






Velhos Caminhos de Viçosa
Elói Brandão de Sá

  
[...]
        A mais antiga referência sobre os caminhos do oriente e do ocidente, integrantes da estrada do Vale do Paraíba, que ligava a Vila de Atalaia ás terras de Quebrangulo, passando obrigatoriamente pelo povoado Riacho do Meio, vamos encontrá-la em Alfredo Brandão: “A região do vale do Paraíba, compreendida entre a cidade de Atalaia e a povoação da Passagem, era desabitada e coberta de espessa mata. Uma estrada tortuosa, que ora marginava o rio, seguindo bem perto das suas barrancas, ora se distanciava, internando-se pelo coração da floresta, dirigia-se para o sertão, ligando entre si os dois pontos povoados” (o grifo é nosso). Por esta informação do historiador viçosense, a qual remonta à primeira metade do século XVIII, verifica-se que aquela região podia ser despovoada, mas a estrada já existia. E não apenas existia, mas já devia ser bem movimentada.
   O caminho do nordeste, subindo o Cento e Vinte e avançando pelo planalto da Fazenda Velha, também já era palmilhado.
   Por ele passara muitas vezes, entre fins do século XVIII e princípios do XIX, o fundador de Viçosa, Manuel Francisco, que por lá abriu roçados de algodão. “Homem ativo e trabalhador, o fundador da Viçosa continuou com o plantio do algodão e estendeu os seus roçados para os lados do norte, até muito além do “Cento e Vinte”, legando o seu nome a uma ladeira que fica entre a Fazenda Velha e o Limoeirinho, no antigo caminho do Barro Branco” (o grifo é nosso).
    De qualquer forma, embora não se possa fixar a época em que se formaram aqueles velhos caminhos, o que importa, sobretudo, é que foram fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de Viçosa.
   Pelo caminho da Vila da Imperatriz chegavam à Vila Nova da Assembléia, e mais tarde à cidade de Viçosa, numerosas cargas de açúcar bangüê, procedentes de antigos engenhos situados ao norte e nordeste do município. Grande parte desse açúcar destinava-se ao Pilar, importante centro comercial que, na segunda metade do século XIX, constituía uma espécie de entreposto para onde convergiam os produtos dos engenhos da zona da mata. “Nascida em engenho, e em torno dele crescendo e desenvolvendo-se, Pilar tornou-se importante núcleo do comércio açucareiro, talvez pela facilidade e barateamento do transporte para a capital, pela lagoa e canais. De Atalaia, Capela, Anadia, Viçosa, o açúcar descia para o Pilar, e daí em barcaças era transportado para Maceió”.
   Diferentes ramais derivavam desse caminho da Imperatriz: um, que levava o viajante ao engenho Queimado e ao povoado Santa Efigênia, bem perto da linha divisória Viçosa-Capela; outro que, passando pelos engenhos Barro Branco e Bom Jesus, ia adiante encontrar-se com uma antiga estrada em direção a Pernambuco; e vários outros, menores, que se comunicavam com os engenhos não situados à margem do caminho geral.
    No período de 1860 a 1895 encontravam-se nessa zona norte-nordeste de Viçosa diversos engenhos de açúcar, alguns dos quais sobressaindo pela capacidade de produção. Entre os mais antigos e importantes, destacamos o Barro Branco, de Pedro José da Cruz Brandão; o Boa Esperança, de Firmino Rebelo Torres Maia; o Bom Jesus, de João Tenório de Albuquerque; o Bonito, de Francisco Florentino Tenório de Albuquerque; o Cruzeiro, de Joaquim Pereira Ávila; o Ingazeiro, de Elias Constâncio Brandão; o Mata Verde, de João Aprígio dos Passos Vilela; o Três Paus, de Joaquim Pereira Ávila.
    Pelo caminho do Sul – por muitos conhecidos como caminho da Pindobinha ou da Gereba – que ligava Viçosa a Anadia e Mar Vermelho, também era conduzido açúcar de vários engenhos, entre os quais: o Gereba, de Apolinário Rebelo Pereira Torres; o Cambuim, de Vicente Ferreira do Nascimento Rodas; o Amazonas, de Adrião Pereira da Silva; o Areia, de José Florentino Pereira Torres; o Pedras de Fogo, de Lourenço José da Silva, e o Timbó, de José Raimundo dos Santos. Mas o principal movimento comercial através desse caminho era representado pelo algodão, cuja produção provinha não só de fazendas localizadas no município de Viçosa, como Paturi, Pedras de Fogo, Pindobinha e Gereba, mas também de algumas propriedades de Anadia e Mar Vermelho. As pesadas cargas do “ouro branco”, descendo as escarpas da Pindobinha, destinavam-se ás antigas bolandeiras da Vila Nova da Assembléia, substituídas mais tarde pelos descaroçadores ou vapores de algodão, tão conhecidos em nossos dias. No período de 1910 a 1935 essas máquinas de beneficiar algodão tiveram importância vital no desenvolvimento econômico do município.
[...]

   
Quanto ao caminho do ocidente, havia dois ramais: um para Paulo Jacinto e Quebrangulo, marginando o Paraíba e o Caçamba, e outro para Palmeira dos índios, em demanda do sertão.
    Por esse caminho a Vila de Assembléia recebia açúcar e gado. Açúcar fabricado pelos engenhos Bananal, de Quintiliano Vital dos Santos; Caçamba, de Nuno Rebelo Lúcio e Silva; Caçambinha e Flor do Caçamba, de Tertuliano de Holanda Cavalcante; Baixa Funda, de Caetano Donato Brandão; Firmeza, de José Alves Paes do Bonfim; Chã Preta, de Romualdo José de Souza.
    O gado bovino, procedente do sertão, era geralmente transportado via Palmeira dos índios, Quebrangulo e Paulo Jacinto. Já em terras de Viçosa, as boiadas seguiam pela margem esquerda do Paraíba, passando pelo antigo engenho Veados, de Manuel José de Oliveira Mata, e pelo sítio Cruzes, de José Gonçalves Carnaúba. No verão, as boiadas continuavam por uma estrada larga e meio arenosa, indo atravessar o Paraíba numa ampla passagem existente logo após o sítio Cruzes. Tomavam agora a sua margem direita, para sair no ponto denominado Barra do Caçamba, na confluência deste com o Paraíba. Tal itinerário, a partir da última década do século XIX, tinha a vantagem de evitar perigosos cruzamentos com a estrada de ferro. Na época invernosa, porém, ou ocasionalmente quando havia enchente no Paraíba, os tangerinos guiavam o gado por um caminho estreito, geralmente entre o rio e a via férrea, indo depois de meia légua alcançar o antigo povoado, atual vila de Anel, prosseguindo pelas fazendas Caçamba e Limoeiro, até desembocar em um dos mais velhos lugares de Viçosa – a secular Mata Escura. Em seguida, subindo a chamada ladeira do Descansador, na fazenda Dourada, as boiadas descambavam para outra ladeira – uma descida em tanto difícil, apesar de parcialmente calçada de pedras irregulares – e penetravam na cidade por um caminho antigo, quase paralelo à montanha da Mata Escura, do qual se originou a rua do Cravo, hoje denominada Senador Ismael Brandão.
   E se esses caminhos – o do norte, o do sul e o do ocidente – contribuíram fundamentalmente para o desenvolvimento econômico de Viçosa, maior importância ainda teve o do leste ou da serra Dois Irmãos, pois através dele se processava toda a exportação de açúcar e gado para Pilar e Maceió, bem como a importação de gêneros indispensáveis ao comércio viçosense. E não só na parte econômica, mas também na social, concorreram esses caminhos para o crescimento do município. Sem eles não teria sido possível o intercâmbio de Viçosa com várias cidades, como Anadia, Atalaia, Cajueiro, Capela, Maceió, Mar Vermelho, Palmeira dos Índios, Paulo Jacinto, Pindoba, Quebrangulo, União dos Palmares e Correntes (Pernambuco).
    Senhores de engenho e fazendeiros que iam à vila tratar de negócios ou, com suas famílias, assistir às festas de Natal, Ano-Novo e Bom Jesus do Bonfim, padroeiro de Viçosa; chefes políticos ou simples eleitores, da zona rural, nos dias de eleições, como naquele distante e agitado janeiro de 1878 (8), quando conservadores e liberais se desentenderam e as ruas da pacata Vila de Assembléia foram invadidas por capangas; sinhás-donas, em seus belos cavalos de sinhão, ou em fofas liteiras conduzidas por negros escravos; “coronéis” montados em castanhos baixeiros; os noivos que, acompanhados de tradicionais comitivas, iam casar-se na igreja matriz da “rua”, dia de sábado, como ainda hoje se usa; bandos de feireiros, ora conduzindo pesadas cargas de cereais, ora esquipando em quartaus rudados; o ronceiro carro de bois – o veículo agrícola da época – a cantar estrada afora, transportando lenha da mata para as fornalhas dos engenhos; dançadores de reisado, com malote às costas, no período das festas natalinas; zabumbeiros e tocadores de pífano, esses valorosos músicos populares de todos os tempos, que iam abrilhantar os leilões de São Sebastião ou do Bom Jesus ou de N. S. da Conceição – toda essa gente, sem distinção de cor e posição social, quer os que residiam em confortáveis casas-grandes de engenho, quer os que viviam em míseros casebres de palha, toda essa gente, no passado distante, percorreu os Velhos Caminhos de Viçosa.       
  
 Os Caminhos da Serra Dois Irmãos


  Dentre os primeiros caminhos que determinaram as comunicações entre as terras de Viçosa e outros municípios alagoanos, o mais antigo, sem dúvida, é o do leste ou da serra Dois Irmãos. Sua antiguidade, como caminho natural de tropa, presume-se remontar aos primeiros anos setecentistas. Sua importância comercial, todavia, somente no princípio do século XIX começa a se evidenciar. E a sua grande contribuição para o desenvolvimento municipal não deve ser considerada apenas em relação a Viçosa, pois também foi ele indispensável a uma vasta zona do vale do Paraíba, compreendendo várias unidades populacionais.
  Em época muito distante dos nossos dias, quando a atual cidade de Viçosa, ainda sem expressão demográfica e econômica, era apenas um sítio circundado de capoeira grossa, esse antigo caminho constituía a via única de penetração para o viajante que, galgando a serra, desejasse alcançar determinadas paragens do sertão alagoano ou do território pernambucano.   
   Poderia ser um caminho estreito, tortuoso, ora em mata fechada, ora em espaços rasgados através de capoeira rala, onde por muito tempo sempre estivera ausente qualquer obra de engenharia, mas o fato é que ele está geográfica e historicamente vinculado aos fundamentos não apenas de Viçosa, como ainda de outros municípios do vale do Paraíba.
   Ora beirando o pedregoso Paraíba, aqui cortando o seu fertilíssimo vale, ali varando as escarpas da serra Dois Irmãos, adiante estirando-se em longos trechos de puro massapé – a verdade é que essa velha estrada contribuiu, de modo inequívoco, para a formação socioeconômica da cidade de Viçosa.
 [...]


   Por ele chegaram ao referido povoado, nos anos que precederam á formação urbana de Viçosa (1820-1830), os que se deslocaram de vários pontos da Província e em Viçosa se estabeleceram, adquirindo por valores ínfimos grandes áreas de terra, oriundas de sesmarias formadas após a luta dos Palmares. Ao lado desses latifúndios foram sendo construídos, pouco a pouco, os primeiros engenhos bangüês de Viçosa, movimentados por tração animal. Já em 1849, no “mapa dos engenhos de fabricar açúcar moentes e correntes da província das Alagoas” (3), figuram quatro desses mais antigos estabelecimentos: o Dois Irmãos, de José Martins Chaves; o Jacu, de Afonso de Albuquerque Melo; o Quizanga, de Manuel Bezerra de Vasconcelos, e o Bananal, de Manuel Carneiro da Cunha.
[...].
  Em meados do século XIX, quando Vi çosa contava cerca de 30 engenhos safrejando, o produto era transportado, a princípio, para o Pilar, principal centro comercial entre a capital e a região da Mata, e onde se encontravam diversas firmas atacadistas, dispondo já de grandes armazéns. Já em 1871, a Vila do Pilar era considerada “a primeira da província pelo seu importante comércio, edificação e povoação; tem 847 fogos – 10 sobrados, 389 casas de telha e 448 de palha; tem ela mais três trapiches, 3 igrejas, uma mesa de rendas gerais, outra de rendas provinciais, uma agência do correio e quatro cadeiras de primeiras letras” (4). Mais tarde, quando o movimento comercial daquela cidade lacustre começara a declinar, o açúcar exportado pelos bangüês da Vila de Assembléia seguia diretamente para os armazéns de Jaraguá, em Maceió. Paralelamente à saída do açúcar, verificava-se a necessidade aquisitiva de certos artigos importados, indispensáveis à subsistência da população assembleiense, sobretudo gêneros alimentícios, tecidos, calçados e medicamentos. E, nesse intercâmbio comercial, era o velho caminho a única via de comunicação, cuja influência econômica, como podemos observar, não se restringia à Vila de Assembléia.
   Em numerosos documentos oficiais do período provincial vamos encontrar aquele caminho do vale do Paraíba – inclusive o trecho da serra Dois Irmãos – figurando entre as principais estradas da província. Já em 1862, referindo-se a essa estrada como importante via de comunicação para abastecer a capital, informava o presidente Antônio Alves: “A estrada que se dirige desta capital às vilas de Atalaia e Assembléia e povoação de Quebrangulo, e a que segue para a Imperatriz, são as vias de comunicação por onde se transporta a maior parte dos gêneros que vem para o mercado desta capital e são as que em todos os tempos mais têm merecido a solicitude desta assembléia e do governo provincial. Estou persuadido que neste ramo de serviço, que se liga aos interesses da agricultura e do aumento da renda pública, um dos maiores benefícios que se pode fazer à província será reparar e aperfeiçoar essas duas estradas, de modo que se prestem ao trânsito dos carros ainda na estação invernosa”.
  O valor comercial desse antigo caminho está bem caracterizado através de um velho relatório de junho de 1867, onde se informa que o governo mandara proceder a um levantamento do terreno compreendido entre a capital e os municípios considerados centros produtores: “Um dos mais vitais interesses desta província é, sem dúvida, o melhoramento de suas estradas, se é que tal nome se pode dar aos caminhos que ligam entre si os diversos pontos povoados, por onde se faz o comércio e se exportam os produtos da lavoura da província. Duas são as principais vias de comunicação que ligam os municípios centrais e produtores da província a esta capital: a que se dirige para a Vila da Imperatriz e a que, partindo do Pilar, se encaminha para Atalaia, Assembléia etc. Cumpre, pois, que Vmcê, como trabalho preliminar, proceda a um reconhecimento do terreno compreendido entre esta capital, Imperatriz, Assembléia, Atalaia e Pilar, determine a posição geográfica de todos estes pontos, assim como de outros, cujo reconhecimento for necessário para o estudo perfeito das estradas que pretenda construir”  (O grifo é nosso).

  Em outro documento de 1871, novamente se evidencia a importância econômica dessa estrada do vale do Paraíba, passando pela serra Dois Irmãos, que servia a uma microrregião agricolamente das mais ricas: “As principais estradas da província são: 1º a do Norte; 2º a da Imperatriz; 3º a de Atalaia; 4º a de Anadia; 5º a do Sul (...). A terceira é um ramal que, partindo da estrada da Imperatriz além do riacho Bebedouro ou Luiz da Silva, passa pelos povoados denominados Fernão Velho, Carrapatinho, Pedro da Cruz, Boca da Mata, Capela, Cajueiro, Gameleira, Sabalangá, Quebrangulo e vai ás vilas de Atalaia e Assembléia, terminando na povoação da Cruz de S. Miguel, cujo território é contestado a esta pela província de Pernambuco. É esta a zona mais povoada e produtora desta província; e, não só por este motivo, como pelo da conversão de grande parte do comércio do centro de Pernambuco para esta capital e para a Vila do Pilar, é a estrada de Atalaia, a meu ver, de todas quantas possuímos, a mais freqüentada e conseguintemente a que mais urgentemente reclama atenção do governo, atento ao péssimo e perigoso estado em que se acha em quase toda sua extensão”.
   Na década de setenta, embora o comércio da Vila de Assembléia ainda se apresentasse pouco desenvolvido, já o número de engenhos espalhados pela zona rural havia se elevado a 32, destacando-se, pelo valor da produção, os seguintes: Baixa Funda, de Caetano Donato Brandão; Bananal, de Quintiliano Vital dos Santos; Barro Branco, de Teotônio Torquato Brandão; Boa Esperança, de Firmino Rebelo Torres Maia; Boa Sorte, de José Martins Ferreira; Brejo, de Carolina Leopoldina de Farias; Firmeza, de José Alves Paes do Bonfim; e Gereba, de Apolinário Rebelo Pereira Torres.
   Várias localidades que comerciavam com a Vila de Assembléia também começavam a progredir na agricultura, na indústria rural e no comércio de açúcar, entre as quais a Vila da Imperatriz, hoje União dos Palmares, e as povoações de Capela e Murici. Muito mais importantes do que estas, porém, eram Pilar e Atalaia. Pela sua posição geográfica, ponto intermediário da zona da mata com a Capital, a Vila do Pilar era grande praça importadora de açúcar e muito cedo atingira a categoria de cidade (1872), suplantando as suas circunvizinhas. Atalaia, o velho arraial de Domingos Jorge Velho, embora ainda não fosse cidade, era vila influente com vários estabelecimentos comerciais e numerosos engenhos bangüês. O desenvolvimento dessas localidades sob o ponto de vista econômico e demográfico, estava, agora, a exigir do governo providências inadiáveis quanto ao melhoramento das condições da estrada do vale do Paraíba, passando pela serra Dois Irmãos.



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Macacos me mordam: o belo saguim.IUrbanização e os bichos

Estas fotografias são da autoria da jornalista e amiga  Olívia de Cássia Correia de Cerqueira que me permitiu fazer intervenções nelas.

Sempre fui ligado a saguim e jamais negaria que somos primos. Tudo se marca em minha infância na Rua da Penha em Penedo. Criei dois. Um se chamava Chico e outro era o Seu Nome. Eu fica buzina da vida quando perguntavam o nome do Chico; o outro já fui chamando de Seu Nome.  Ambos viraram pessoas da família, convivia conosco e, sem estarem presos, jamais fugiram ou foram embora. Passavam muitos por lá.












Chico morreu de morte morrida, era um filhotinho que andava perdido no quintal. Minha mãe teve pena, recolheu e me deu para tomar conta. Ele dormia em meu quarto, dentro de um cestinho cheio de panos para ele se aconchegar. Acho que foi atacado por um guabiru. E cuidei mesmo dele.











Seu Nome morreu afogado. Era criado completamente solto; nenhum, dos dois tinha restrição de movimento. Naquele tempo, Penedo não tinha água encanada, a gente comprava as ancoretas, carregadas no lombo de jegue. Mas dava às vezes para juntar  e sempre se manteve dois tonéis lá em casa. É daí que vem o trágico: segundo minha mçae dizia, ele olhou, viu seu reflexo na água e pulou.

Eles estão enterrados na velha casa da Rua da Penha. Coloquei numa caixa de sapato, cavei a cova, enterrei com missa e tudo.

Jamais os esqueci.
Sei que um nçao pode ser igual ao outro. Como poderiam conviver?

Hoje, estão urbanos, vivendo nas poucas árvores que sobram, pela cidade.



Será que faço uma péssima etnozoologia ou uma bela recordação?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Educação e povo: legado de Élcio Verçosa


Dois dedos de prosa

Esta é uma homenagem realizada por Campus, a um dos mais importantes intelectuais alagoanos: Professor Dr. Élcio Verçosa.  Dois de seus amigos e companheiros de trabalho, abordam sua vida.
Minha admiração é e sempre foi grande. Campus/O Dia tem a chance de homenagear a uma grande figura humana e a um grande cidadão brasileiro e, eu, este  mirrado escriba, tem a possibilidade de mais uma vez declarar sua amizade e admiração por ele. Agradecemos a todos os que colaboraram neste número, especialmente à Albinha e Graça.
            Vamos ler
            Um abraço
            Sávio



I – Um pouco sobre um amigo
Luiz Sávio de Almeida




Este número de Campus/O Dia presta uma singela homenagem ao Professor Élcio Verçosa, cuja trajetória é conhecida em Alagoas, especialmente no campo educacional onde viveu densamente. Os chamados grandes homens são assim: a vida se infiltra em cada minuto do cotidiano, de tal modo que ele sai reproduzindo-se, anonimamente, em uma infinidade de outras vidas. É o que acontece com Élcio e ninguém pode dizer onde ele termina e onde começa.
A qualquer desavisado, pode parecer que estamos a  cometer um exagero, mas não é.  Estamos diante de um tipo de intelectual público, capaz de estar e discutir a vida do seu povo, de uma forma aberta e forte. Não se tem a menor discussão sobre a educação em Alagoas, sem que direta ou indiretamente, as suas ideias estejam presentes, sobretudo através dos seus alunos, por ele ensinados a tentarem uma educação que seja, também, uma luta pelo que se convencionou chamar de justiça social.  A relação entre construir a educação e a sociedade, sempre esteve clara em sua cidadania que se repartia em diversos setores,  desde a sala de aula às lutas sindicais.

II - Biografia e Trajetória de Elcio de Gusmão Verçosa
Ivanilda Verçosa

Professor Emérito da Universidade Federal de Alagoas por indicação unânime de seus pares do CEDU, título do qual muito se orgulha e que foi outorgado pelo Conselho Universitário da UFAL, Elcio de Gusmão Verçosa nasceu em Porto Calvo, em 14 de outubro de 1944. Fez seus estudos primários no grupo Escolar Rocha Pita, ainda em Porto Calvo, após ser alfabetizado por uma prima e madrinha – Maria Helena Buarque Ferreira. Filho de Benedito Aires de Verçosa e Dina de Gusmão Verçosa, é o quinto de dez filhos.
Em 1957 entrou para o Seminário Menor da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, em Pernambuco, onde cursou o ensino fundamental (antigo ginasial) e o ensino médio (antigo colegial). Após o noviciado, fez o Curso completo de Filosofia. Em 1967, deixa a Congregação e volta a Maceió, onde faz o vestibular para Letras – Português-Inglês, concluindo em 1970.
                     Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFAL foi presidente do Diretório do Curso de Letras, durante o período de chumbo da ditadura militar 1968-1969 onde enfrentou lutas históricas contra o CCC - Comando de Caça aos Comunistas, grupelho liderado pela família de Wanilo Galvão, famoso integralista de Alagoas.
Em 1968 participou das manifestações estudantis contra a ditadura, pelas liberdades democráticas e em 1969 engajou-se na luta contra o AI-5. Nesse período, participou ativamente como ator, do Grupo teatral “Os Corujas”, da Faculdade de Filosofia, dirigido por Sabino Romariz. Fez parte do corpo de atores das peças “Revolução dos Beatos” e “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes e de “Mortos Sem Sepultura” de Jean-Paul Sartre. Era a fase da resistência por meio da arte teatral, já que o AI-5 proibira as manifestações de rua.
Em 1970 termina o Curso de Letras – Bacharelado e Licenciatura – e se casa com a companheira de magistério e de movimento estudantil, Ivanilda Marques Soares, que passou a se chamar Ivanilda Soares de Gusmão Verçosa e desse casamento nasceram dois filhos: Elcio Verçosa Filho e Catarina Verçosa, mãe de Diógenes Verçosa Domecq,  único neto.
A partir de 1970, quando o regime militar endureceu as perseguições aos democratas revolucionários, passou a acolher em sua casa, como outros democratas e progressistas, guerrilheiros que fugiam da repressão, vindos do Araguaia para São Paulo. Até hoje somos amigos de alguns que sobreviveram aos tempos de chumbo.
Professor de Língua e Literatura Portuguesa e Língua Inglesa em colégios do setor privado como Marista de Maceió e Imaculada Conceição, foi selecionado para lecionar Português na rede estadual de ensino em 1968. Em 1975, foi aprovado em concurso público para a então Escola Técnica Federal de Alagoas – ETFAL, passando a lecionar Língua Portuguesa e Literatura Brasileira até 1980, quando foi selecionado como Professor substituto para o CCSA – Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. A partir daí começou a construir sua carreira acadêmica e sindical no ensino superior, desligando-se da ETFAL ao ser aprovado na seleção de Mestrado da Faculdade de Educação da UFPe e, em 1984, tornou-se Professor Auxiliar da UFAL, aprovado em concurso público.
No final da década de 1980, liderou o movimento, junto com outros companheiros docentes, para a criação do Centro de Educação – CEDU, que se tornou referência na UFAL e no Estado de Alagoas na formação de dezenas e centenas de educadores, pedagogos com uma visão humanista e social da Educação. Foi seu primeiro Diretor eleito pelo voto de docentes, estudantes e funcionários, como também Professor de disciplinas como Métodos e Técnicas de Ensino, Planejamento e Política Educacional. Elcio escreveu sobre a criação do CEDU: Depois de conseguir se reorganizar de fato, nos meados dos anos 80, após árdua batalha política, em três departamentos, será no fim dessa década que o TFE, o MTE e o APE, desprendendo-se do CCSA, criarão o CEDU, resultante de um projeto nascido do empenho e do ideal dos que queriam que a educação, no seio da UFAL,  continuasse sendo um espaço de formação cada vez mais comprometido com a nova realidade educacional alagoana, através de uma atuação crítica, investigativa, politicamente competente, capaz de manter interlocução com a sociedade e seus dirigentes, e cada vez mais ávida por transpor os muros que frequentemente encastelam a Universidade e tendem a fazê-la alienada do seu tempo e de sua realidade. Por isso, assumimos, desde a primeira hora em que fomos instituídos, como prioridade absoluta, a Educação Pública, e perseguimos, como meta central, a qualificação de nossos quadros.”
Mais tarde, já nos anos 1990, após concluir o Doutorado em Política Educacional na FEUSP – Faculdade de Educação da USP, também liderou a criação dos Cursos de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado no CEDU/UFAL – ao tempo em que dava aulas na graduação, orientava dissertações de alunos do Mestrado e Doutorado e dirigia o CEDU.
TÍTULOS: pelos relevantes serviços prestados à Educação de Alagoas, recebeu vários Títulos honoríficos: em 2004, foi agraciado com o Título de Cidadão de Maceió, outorgado pela Câmara de Vereadores de Maceió; em 2006, recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal de Alagoas, outorgado pelo Conselho Universitário – CONSUNI; em 2007, a Comenda do Mérito Educativo, outorgada pelo Conselho Estadual de Educação de Alagoas, do qual foi Presidente sempre eleito por seus pares; em 2013 recebeu a Comenda Padre Teófanes Augusto de Araújo Barros, outorgada pela Assembleia Legislativa de Alagoas, também pelos relevantes serviços prestados à Educação em terras alagoanas. Autor de vários livros sobre História da Educação em Alagoas, sobre Cultura e Educação, Educação Superior, sozinho ou em parceria, participou de diversas Bienais do Livro em Alagoas, sempre com lançamentos de novos livros ou novas edições dos já esgotados.
Resumindo sua trajetória, é Avaliador de Cursos Superiores, Faculdades e Universidades pelo INEP/MEC desde o ano de 2000. Com vastíssima experiência no Ensino Médio e Superior de Alagoas, aposentou-se da UFAL em 2006, tendo sido convidado para ser Professor Visitante da UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas que ajudou a criar quando Presidente do Conselho Estadual de Educação. A função de Professor Visitante exerceu até 2010, quando foi convidado pela Direção da Faculdade SEUNE e aceitou ser Coordenador Acadêmico e docente dessa Faculdade, onde se encontra atualmente.

III - O SINDICATO NA RELAÇÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
Profª Alba Correia                                           

APAL-SINTEAL, CPB-CNTE, ADUFAL.


       
    Escrever sobre Elcio Verçosa no espaço de um artigo é tarefa complexa por alcançar diversas dimensões de sua intervenção na sociedade como educador, sindicalista, gestor, intelectual de significativa produção acadêmico-científica.
Com foco no sindicalismo e apoio de testemunhos na luta, este registro perpassa a capacidade do educador em promover interações entre pessoas, projetos, instituições. Ele mesmo, formulador de concepções e proposições em favor da educação entre os direitos humanos fundamentais, defende o conhecimento da realidade como norteador do compromisso com o mundo social, político e cultural na perspectiva das transformações sociais.
Contextualizada, sua história de vida traz a década de 60 (Século XX), quando o Brasil e o mundo enfrentavam grandes transformações na realidade econômica, sociopolítica e no campo dos paradigmas e valores.
Nesse período, a Igreja Católica, vivenciando o Concílio Vaticano II (1962-65), por nova ênfase à paz, ao desenvolvimento e à justiça social, busca um novo pensar e agir na realidade. São posições com reforço na América Latina (1969) – cenário de regimes ditatoriais de ação repressora – que impulsionam a Igreja a redefinir seu perfil, articulando-se a segmentos políticos e sociais do campo progressista, com protagonismo mais consequente em favor da justiça e da liberdade.
No Brasil, o golpe militar de 1964 rompe os anseios do país em torno do Governo João Goulart, impede a perspectiva de um modelo nacional de desenvolvimento, exercendo brutal repressão sobre democratas e patriotas. Por suas contradições, esse contexto fomenta a politização e mobilização dos movimentos sociais, organizações partidárias, unificando propostas de luta ligadas à liberdade, direitos humanos, justiça social, pela redemocratização do país.
Ao acirramento da repressão, a resistência democrática assumia as bandeiras das eleições diretas, da anistia para presos políticos, mortos e desaparecidos, da Assembléia Nacional Constituinte, articuladas a pautas específicas ligadas aos direitos sociais e trabalhistas.
Assim se apresenta o ideário e a base de formação de Elcio Verçosa, desde seu ingresso na Ufal (1967), integrando o conjunto das lideranças estudantis de Alagoas contra o arbítrio, em defesa da educação pública, construindo a prática democrática na escola e na sociedade. 
Presidente do Centro Acadêmico do Instituto de Letras e Artes – Ila/ Ufal (1968-69) participa do período efervescente de lutas do movimento estudantil contra o regime militar, enfrentando os efeitos do AI 5/1968, do Decreto 477/1969 e do Acordo Mec/Usaid. Formado em Letras pela Ufal (1967-70), é admitido no Serviço Público Estadual, como professor e gestor da escola pública (1967-83), período marcado pela falta de atendimento às principais diretrizes básicas para a educação: a elevação dos níveis de escolaridade e a formação dos estudantes segundo as demandas de sua realidade.
Na vida profissional, o movimento sindical integra seu novo campo de ação política. Na Associação de Professores de Alagoas/Apal marcada, desde sua criação (1965), pelo atrelamento ao governo do Estado, Elcio Verçosa projeta-se liderança do Movimento de Professores (Décadas 70-80), impulsionando a participação da categoria na defesa da escola pública de qualidade e da valorização profissional.
A organização dos professores também acompanhava a luta pela transformação da Confederação dos Professores do Brasil/CPB, conduzindo Elcio Verçosa e outros/as companheiros/as à participação de articulações e eventos nacionais, por novas proposições para a educação e a sociedade brasileira.
Nesse caminho, em 1980, as eleições para a direção da Apal encontram uma oposição organizada com significativas lideranças da capital e do interior, compondo-se a Chapa APAL PARA O PROFESSOR encabeçada por Elcio Verçosa. Mas, no enfrentamento ao autoritarismo de governadores indicados pelo regime militar, a organização dos professores, embora expressiva, não conseguiu barrar a ação repressora que manteve a política de atrelamento da Apal.
O movimento resiste e cresce, aproximando bandeiras específicas à luta da sociedade brasileira pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores, para alcançar seus objetivos em curto espaço de tempo.
Elcio Verçosa vai buscando sua qualificação profissional e, aprovado em concurso público, ingressa na Ufal em 1980 como professor. Um novo campo de atuação sindical vai encontrar na Associação dos Docentes da Ufal/Adufal, fundada em 1979, ano da conquista da anistia para os brasileiros. Élcio é eleito Presidente, na Chapa NOVADUFAL para o biênio 1985-87.
Em sua nova tarefa, empenha-se no fortalecimento do debate político sobre a missão da Ufal – criar, manter e compartilhar o conhecimento e a cultura da sociedade em função de seu desenvolvimento – e na consolidação da gestão democrática, concretizada em 1989; intensifica a mobilização pela valorização dos professores, conduzindo a greve de 1987 com pauta nacional unificada e, no plano interno, a melhoria da estrutura e funcionamento da entidade.
A trajetória de Elcio Verçosa revela sua capacidade de, refletindo sobre a dinâmica conjuntural na articulação de concepções e ações, potencializar sua intervenção na sociedade, sempre atento à formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a educação, na perspectiva das transformações sociais.

IV – Élcio Verçosa: tempo e vida
Graça Tavares


“      Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante” (AUGUSTO BRANCO, poema VIDA)

Essa frase diz muito do que penso e sinto sobre Élcio de Gusmão Verçosa.
Convivi com Élcio em várias etapas de minha vida acadêmica e social, inclusive como sua vice-diretora no Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, e posso afirmar que determinação, paixão e ousadia sempre foram as diretrizes que nortearam suas ações enquanto gestor/líder e ser humano.
A literatura da área de administração afirma que dentre outras tantas coisas que caracterizam um gestor destacam-se o gostar e entender de gente. Isso mesmo, da figura humana. Métodos e processos bem elaborados são de fundamental importância para uma boa gestão, mas sempre haverá uma pessoa para torná-los eficazes.
Segundo Peter Drucker, pai da administração moderna, administrar é fazer as coisas direito, utilizando a autoridade inerente da hierarquia formal para obter o cumprimento dos membros organizacionais e liderar é fazer as coisas certas através da habilidade de influenciar um grupo para se alcançar objetivos. Élcio, você soube, como ninguém, exercer a função do gestor e líder no Centro de Educação da UFAL para alcançar os objetivos propostos que se efetivavam na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade social; no compartilhamento das informações com todos os envolvidos na elaboração e construção dos projetos que sempre visaram à melhoria dos cenários educacionais: alagoano e brasileiro.
Acredito que o determinante para o sucesso das pessoas nos locais de trabalho são a dedicação e eficiência com que conduzem suas atividades profissionais e a honestidade que empregam na realização de suas tarefas. Élcio, a determinação e ousadia na forma como se colocou enquanto gestor mediador de um projeto educacional, na Universidade Federal de Alagoas, cujo lema foi OUSAR PARA AVANÇAR, que, dentre outras conquistas, possibilitou as condições concretas para a criação do Programa de Pós-Graduação em Educação, o que veio a se concretizar em 2001; a reestruturação dos espaços pedagógicos e de melhoria das condições de trabalho no Centro de Educação; a formulação de novas formas de parcerias com a sociedade alagoana e na democratização dos processos coletivos de tomada de decisão na universidade, são exemplos de sua gestão e liderança.
Sim, Élcio, sua energia, entusiasmo e atitude positiva diante dos embates sobre a política educacional brasileira e alagoana colocaram o Centro de Educação em lugar de destaque no cenário universitário e nos vários espaços sociais onde o CEDU era convidado a participar. A concepção de gestão universitária, voltada para a transformação social, que implica um repensar sobre novas formas e concepções de trabalho docente, em sua visão mais ampla, enquanto pesquisador, gestor e professor possibilitou a produção de artigos e livros coletivos que socializavam as nossas reflexões sobre o fazer pedagógico cotidiano e seus impactos na política educacional.
Mais uma característica que quero ressaltar aqui é sua capacidade de mediar conflitos. Como você possibilitava a construção de uma percepção hegemônica, entre todos que participavam de seu convívio, sobre a finalidade do ato de administrar ao destacar que, tanto os princípios quanto a função da gestão estão diretamente relacionados aos fins e à natureza da organização em uma dada realidade social, nesse caso, a educacional, possibilitando que todos se sentissem contemplados nas metas então estipuladas e com isso conseguindo a adesão para a concretização das mesmas.
Como poucos você soube perceber que “a vida é mutirão de todos, por todos mexida e temperada” como afirma Guimarães Rosa em seu livro Grandes Sertões: Veredas e o seu fazer político-administrativo na UFAL foi um fazer pedagógico, pois se desenvolveu no ato de ensinar, no planejamento, na gestão, nas relações com a comunidade acadêmica e educacional fora e dentro da universidade. Esse é o legado deixado para todos nós que tivemos a ventura e aventura de fazer parte de sua equipe e de sua história de vida. Obrigada por tudo!